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Ex-chefe da Receita diz à PF que Bolsonaro o procurou para tentar reaver joias

A primeira vez em que Julio Cesar Vieira Gomes conversou com o político da extrema direita foi um encontro pessoal em dezembro de 2022, possivelmente no Palácio do Planalto

09/07/2024 às 18h36 Atualizada em 10/07/2024 às 05h50
Por: Redação
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Ex-chefe da Receita diz à PF que Bolsonaro o procurou para tentar reaver joias

Jair Bolsonaro (à esq.) e Julio Cesar Vieira Gomes (Foto: Reuters | Reprodução)

247 - O ex-secretário da Receita Federal Julio Cesar Vieira Gomes confirmou ter conversado diretamente com Jair Bolsonaro (PL) sobre a hipótese de liberar as joias presenteadas pela Arábia Saudita, mas que foram apreendidas no aeroporto de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. De acordo com investigadores, foi desviada a quantia de R$ 6,8 milhões do esquema de venda ilegal dos bens que, por lei, devem pertencer ao Estado brasileiro, e não podem ser incorporados a patrimônio pessoal. 

Segundo informações publicadas nesta terça-feira (9) no jornal Folha de S.Paulo, a primeira vez em que o ex-chefe da Receita conversou com Bolsonaro foi um encontro pessoal na primeira quinzena de dezembro de 2022, possivelmente no Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial, em Brasília (DF). A segunda foi o telefonema do dia 27 de dezembro.

"Ao final da reunião, o presidente da República questionou ao declarante se tinha ciência de alguma apreensão da Receita Federal decorrente de uma viagem para Arabia Saudita. O declarante respondeu que não tinha ciência, mas que iria pesquisar. [...] Quando voltou ao gabinete da Receita Federal solicitou para algum servidor que não se recorda para verificar se realmente existia apreensão e, naturalmente, o detalhamento desta apreensão", diz a transcrição do depoimento feita pela PF.

A Polícia Federal afirmou que havia "uma associação criminosa voltada para a prática de desvio de presentes de alto valor recebidos em razão do cargo pelo ex-presidente da República Jair Bolsonaro e/ou por comitivas do governo brasileiro, que estavam atuando em seu nome, em viagens internacionais".

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