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RECOMPRA DE RELÓGIO: O dia em que Wassef confessou ao vivo esquema criminoso das joias liderado por Bolsonaro; vídeo

Advogado é uma das peças chave do inquérito que apura o furto de joias do acervo presidencial e venda dos itens nos EUA

10/07/2024 às 16h19 Atualizada em 11/07/2024 às 12h20
Por: Redação Fonte: Revista Fórum
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RECOMPRA DE RELÓGIO: O dia em que Wassef confessou ao vivo esquema criminoso das joias liderado por Bolsonaro; vídeo

O advogado Frederick Wassef.
Créditos: Rivaldo Gomes/Folhapress

Por Ivan Longo

Em meio às revelações feitas pela Polícia Federal (PF) no relatório sobre o inquérito das joias, tornado público na última segunda-feira (8) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usuários das redes sociais resgataram o vídeo de uma entrevista em que Frederick Wassef, um dos advogados de Jair Bolsonaro, confessa o esquema criminoso de venda de itens subtraídos do acervo presidencial nos Estados Unidos. 

Wassef é apontado pela PF como um dos emissários de Jair Bolsonaro envolvidos nas negociações das joias nos EUA e, em 2023, surgiu a informação de que, no início daquele ano, o advogado foi aos EUA para recomprar um relógio Rolex que pertencia ao acervo presidencial e que havia sido vendido no país da América do Norte através do esquema criminoso. 


À época, Wassef concedeu uma entrevista à CNN Brasil e confessou que, de fato, foi aos EUA para recomprar o Rolex com o objetivo de devolvê-lo ao acervo presidencial. Ou seja, confirmou que a peça jamais deveria ter sido subtraída da posse da União e vendida no exterior. 


"Eu comprei o relógio, a decisão foi minha, usei meus recursos. Eu tenho conta aberta nos Estados Unidos e usei meu dinheiro para pagar o relógio. O meu objetivo quando comprei esse relógio era exatamente para devolvê-lo à União, à presidência da República", disparou o advogado. 


Relatório da Polícia Federal (PF) sobre a organização criminosa montada por Jair Bolsonaro para furtar e vender joias da União nos EUA mostra que o ex-presidente, juntamente com os advogados Frederick Wassef e Fabio Wajngarten, montaram uma operação de guerra para enganar "o povo" e tentar impor uma narrativa "subconsciente" de que "agiu na lei".

As trocas de mensagens e telefonemas entre os três foram obtidos por meio da quebra de sigilo telefônico de Wassef, que foi destacado pela OrCrim para recomprar um Rolex vendido nos EUA no início de 2023.

Em conversas com Bolsonaro em 6 de março, Wassef revela que está desesperado com a avalanche de reportagens "que foram publicadas nos últimos 3 dias para cá, todas tem meu nome e dizem que não respondi, atendi ou quis me manifestar".

Desesperado, o ex-presidente envia para Wassef o decreto 4.344, de 26 de agosto de 2002, que regulamenta os acervos dos presidentes da República.

"Você que é advogado aí, dá uma olhada nisso aí, nós sublinhamos aí um... pintamos de amarelo alguma coisa. Pelo que tudo indica, nós temos o direito de ficar com o material. Dá uma olhada aí", afirma o ex-presidente 

Em seguida, Bolsonaro e os dois advogados tramam a produção de uma nota para responder às reportagens e, principalmente, para enganar a população.

Wassef, então, envia uma sugestão de texto e combina com Bolsonaro uma estratégia de defesa "generalizada sem especificar com detalhe", com o objetivo de enganar as pessoas e construir uma narrativa a ser disseminada pela horda bolsonarista.

"Presidente, a nota como está, ela não nos engessa pra nada. Tem abertura pra gente falar de qualquer pauta, mudar de estratégia a qualquer momento porque é uma nota geral, generalizada sem especificar com detalhe. Porque se a gente der muito detalhe se amarra, se prende aquilo. Então, tem que ser exatamente nesse molde, bem por cima, deixando claro a seguinte mensagem ao povo: Não há ilegalidade! Não fizemos nada errado! O Presidente agiu dentro da lei! E estão destorcendo! Ponto! Só pra ter uma outra palavra pra tirar o que eles vão fazer de maldade contra você", diz Wassef.

Wajngarten, no entanto, critica a nota, que já havia sido distribuída à imprensa: "se o Cid já falou em on para quê a nota? Olha o Zoológico", diz a Wassef.

"A nota é necessária tal como está. Protege a imagem do presidente e não compromete ou engessa futuras falas, estratégias e depoimentos", rebate Wassef, dando início a uma troca de acusações com o Wajngarten.

Em meio ao bate-boca com o colega, Wassef envia mensagem de texto a Bolsonaro dizendo que "a nota ficou excelente e todos estão elogiando". "Os criminalistas mais top estão elogiando".

Bolsonaro, então, respondeu com uma foto sorrindo e é bajulado pelo advogado: "meu herói. O Brasil com você".

 

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