Créditos: Rede X / Presidência da República
Guillermo Federico Piacesi Ramos saiu em defesa do policial Arcênio Scriboni, que ameaçou a jornalista Natuza Nery, da GloboNews. Texto da rede X incitando ataques foi publicado em site bolsonarista em formato de artigo e propagado em grupos de ódio no Telegram
Por Plinio Teodoro
Apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e membro de grupos de ódio nas redes sociais, o advogado Guillermo Federico Piacesi Ramos, que diz morar na Itália, tem incitado novos ataques à jornalista Natuza Nery, da Globonews, que foi ameaçada https://folhadapb.com.br/noticia/7896/lo-ataque-sofrido-por-natuza-nery-exige-pronta-resposta-do-poder-publicor-diz-gilmar-mendespelo policial civil Arcênio Scriboni Júnior em um supermercado em Pinheiros, área nobre da zona Oeste de São Paulo, na segunda-feira (30).
Em publicação na rede X nesta quarta-feira (1º), Piacesi incitou a horda bolsonarisa usando um termo em italiano para classificar a jornalista da Globo.
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"Natuza Nery é o que se chama aqui na Itália de uma “persona troppo morbida”. Pessoa muito mole, muito macia. Sensível ao extremo. Se ouvir uma voz contundente em tom mais alto, chora e perde o controle", disse o bolsonarista.
Em seguida, ele coloca em dúvida as ameaças feitas por Scriboni, que teve um chilique com a presença da jornalista dizendo que ela e a Globo "merecem sere aniquiladas". Após a ameaça diante de várias testemunhas, o policial virou alvo de uma ação na Corregedoria da Polícia Civil.
"Tenho certeza que se aparecerem vídeos da tal ameaça do policial, veremos apenas o seguinte: palavras incisivas de um cidadão criticando a forma de ela fazer o seu trabalho (que não é imune a críticas por possuir nítida feição pública), servindo como porta-voz de um governo impopular e muitas vezes propagadora de desonestidade intelectual, falseando a verdade", emendou o advogado, incitando os bolsnaristas a fazerem novas "críticas" a jornalistas que não coadunam com as teorias da conspiração propagadas por Bolsonaro e sua trupe.
"Isso que veremos no vídeo, se ele aparecer: palavras incisivas ditas diretamente a ela. Nada a ver com 'ameaça'. Dizer-se ameaçada é apenas a forma que a ultrassensível Natuza Nery achou para retaliar quem a criticou publicamente", escreveu ainda, antes de comparar o caso com os ataques feitos por bolsonaristas à família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no aeroporto de Roma.
Natuza Nery é o que se chama aqui na Itália de uma “persona troppo morbida”. Pessoa muito mole, muito macia. Sensível ao extremo. Se ouvir uma voz contundente em tom mais alto, chora e perde o controle.
— Guillermo Federico Piacesi (@PiacesiRamos) January 1, 2025
Tenho certeza que se aparecerem vídeos da tal ameaça do policial, veremos…
O texto foi publicado em formato de artigo pelo site jornaldacidadeonline, que faz parte da máquina de ódio de Bolsonaro, e propagado em grupos extremistas no Telegram.
Bolsonarista radical
O policial civil de São Paulo acusado de ameaçar a jornalista Natuza Nery em um supermercado foi identificado como Arcenio Scribone Junior. A partir do nome do agressor, descobriu-se que ele é um bolsonarista radical que utilizava as redes sociais para defender golpe de Estado, questionar o sistema eleitoral brasileiro, disparar fake news, atacar a esquerda e defender uma intervenção militar no Brasil.
Após a ameaça contra Natuza Nery vir à tona e a Corregedoria da Polícia Civil abrir um procedimento para investigar o caso, o policial apagou seus perfis nas redes sociais. Internautas, entretanto, salvaram publicações em que o agressor da jornalista se mostra um bolsonarista violento e defensor de uma ruptura democrática.
Em dezembro de 2022, por exemplo, o policial utilizou o X (antigo Twitter) para enaltecer uma manifestação de bolsonaristas em prol de um golpe de Estado. "Nessas horas tenho orgulho de ser brasileiro. Nosso povo está vivo", escreveu junto a uma foto do ato golpista.
No mesmo mês, Arcenio Scribone Junior chegou a publicar uma notícia falsa afirmando que Jair Bolsonaro teria obtido mais de 73% dos votos nas eleições de outubro daquele ano e vencido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Esta é a realidade que a mídia tentou esconder dos brasileiros", escreveu.
Já em uma publicação na rede Threads em novembro de 2024, o policial disse que estaria "preso ou morto" ao responder a uma pergunta sobre onde estaria se "fizesse tudo que tem vontade".
Ameaça à Natuza Nery
O policial civil Arcenio Scribone Junior teve um chilique ao se deparar com a jornalista Natuza Nery, da Globo, em um supermercado de Pinheiros, região nobre da Zona Oeste de São Paulo, nesta quarta-feira (1º).
O agente que atacou a jornalista da Globo em área nobre da capital já foi acionado pela Corregedoria da Polícia Civil, que pode expulsá-lo da corporação.
Segundo informações divulgadas por Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, o policial, que estava de folga, abordou a jornalista dentro do supermercado perguntando se ela era a Natuza Nery, da Globonews. Natuza não se pronunciou sobre o caso.
Diante da resposta positiva, o agente teve um chilique e começou a fazer ameaças dizendo que pessoas como a jornalista "merecem ser aniquiladas".
O policial também teria ecoado o discurso de Jair Bolsonaro (PL), dizendo que a Globo e a jornalista seriam "responsáveis" pela situação do país.
As ofensas retomaram quando Natuza estava no caixa. O policial passou a xingar a jornalista. Uma pessoa que o acompanhava teria pedido para ele parar com o surto, mas foi ignorada.
A Polícia Militar foi acionada e registrou ocorrência, encaminhada ao 14º Distrito Policial. Ao descobrir que o acusado era policial civil, o caso foi repassado à Corregedoria.
A SSP afirmou em nota que "diligências foram realizadas no supermercado em busca de imagens do ocorrido e de eventuais testemunhas".